quarta-feira, 29 de julho de 2009

De Frias junto ao mar

É quarta-feira, pulei da cama bem cedo para ver o dia acordar, sentei-me na pequena varanda do quarto virada para o mar e em silêncio sonho aventuras e navego até me perder de mim no horizonte desse imenso mar onde os barcos desaparecem da minha visão.
Chegou uma camioneta cheia de crianças vestidas com bibes da mesma cor e pouco a pouco o silêncio vai sendo cortado por guinchos e gritos alegres, a água a esta hora da manha,está fria mas os pequenos molham os pés sem esperar, os adultos que os acompanham elevam a sua voz sobrepondo-se a todos os sons, cuidados e avisos – anda por creme - espera ai não entrem já para a água - mas eles não esperam e vão gastando a sua voz aos gritos até que termine o recreio das crianças.
Mais além fazem-se exercícios para obter um corpo mais magro mais musculosos e mais belo e mais adiante besuntam com cremes e deitam-se o sol a tostar a pele.
Enquanto os meus olhos percorrem este lugar à beira mar, a areia vai ficando sem espaço para esticar as toalhas. Gente de todas idades vindas de lugares distantes exactamente como eu para ver o mar e mergulhar nas suas águas o corpo quente.

O barulho dos motores, dos barcos de recreio, distrai as crianças das brincadeiras que levantam as cabecitas para vê-los passar e acenam com adeuses felizes e contentes. Também se pode ver o barco de pesca que passa mais ao largo, o barulho dos seus motores é mais tenuo mas faz-nos segui-lo , por algum tempo , enquanto o som suava das ondas a enrolar-se na areia embalam o sono dos corpos deitados ao longo da paria.
Absorvo a paisagem, espreguiço-me radiante e afasto a cadeira da réstia de sol que pousou sobre o meu braço e me lembrou que também tenho que ir até a beira-mar. Eu a e a solidão, decidi-mos passar ferias e vaguearmos juntas, por esse mundo feito de aventuras e sonhos que habita dentro de mim e divertimo-nos no tempo feito de momentos como este.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Recordar é viver

A Oliveira que testemunhou o primeiro beijo, o primeiro bater descompassado de dois corações, as primeiras sensações do toque a despertar uma paixão e a primeira lágrima que caiu cheia de emoção naquela promessa de amor que jamais seria cumprida.

Foi arrancada para lá passar uma estrada e foi levada para outro lugar, onde floresce e da fruto, levou consigo o testemunho de tantos abraços , tantos beijos dos namorados que se escondiam debaixo das suas ramas, permitindo ao luar espreitar por entre as suas ramas.

Passei não a vi, lembrei-me dela naquele lugar, enorme, quase a tocar o chão escondendo algum carro que ali chegara primeiro e que ela parecia abraçar e proteger com a sua ramagem e ser a única testemunha do amor dos amantes que se escondiam naquele lugar.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Coimbra

Coimbra com o seu amado Mondego
Estudantes
As serenatas nas escadas da Sé Velha
Os painéis de azulejos na Rua da Sofia
Universidade
O Penedo da saudade.
Que saudade eu sinto dessa cidade que me viu crescer e de onde parti a mais de 20 anos, que saudades de todos os cantos e recantos que trago na memória dessa cidade.
Marcaste com lembranças a minha história e a dos teus amantes, que se renderam aos teus encantos, em versos de amor escreveram a a história que viveram a teu lado e em serenatas apaixonadas vão cantando as palavras esculpidas no Penedo da Saudade

Coimbra de todos os encantos

terça-feira, 26 de maio de 2009

Agora meu fado é vida

A minha vida era um fumo
De negra roupa trajado
E a dor me assentava bem;
Fado em pedaços partido
Que hoje já não faz sentido
Pois é fado de ninguém
Perdida de amores por ti
Só ao perder-te é que vi
A loucura em que vivia
Vai em paz, toma o teu rumo
Tu eras o negro fumo
Que me cegava e não via
Agora meu fado é vida
Onde a poesia é sentida
E me faz sentir alguém
Fado assim tem mais virtude
Tem outra plenitude
E cantá-lo me faz bem

Este poema foi-me oferecido pela autora:

Rosa Guerreiro Dias

Que eu canto na música do fado Franklin Sextilha.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

CARLOS DO CARMO

Abecedário Fadista

(A) de amor, (B) de belezae (C) curvo de criança,(D) de Deus ou de defesa que com (E) escreve esperançaO (F) vai para o fado,o (G) vai para guitarra,(H) p'ra homem honrado, que ao (I) d' ilusão se agarra,o (J) serve a janela,o (L) serve a Lisboa,(M) de mulher mais bela(N) a meio de canoa(O) de olhar que me fascina,(P) de porta sempre aberta(Q) de quadra, (R) de rima,com (S) a saudade acerta(T) de terra, (U) de universo que uma noutra desanda (V) de viola ou de verso,(X) de xaile e (Z) de zanga. As letras são vinte e três, palavras são vinte e tal, alfabeto português, dum fadista em Portugal

terça-feira, 28 de abril de 2009

Ary do Santos

(O Senhor)

Em nome dos que choram,
Dos que sofrem,
Dos que acendem na noite o facho da revolta
E que de noite morrem,
Com a esperança nos olhos e arames em volta.
Em nome dos que sonham com palavras
De amor e paz que nunca foram ditas,
Em nome dos que rezam em silêncio
E falam em silêncio
E estendem em silêncio as duas mãos aflitas.
Em nome dos que pedem em segredo
A esmola que os humilha e os destrói
E devoram as lágrimas e o medo
Quando a fome lhes dói
Em nome dos que dormem ao relento
Numa cama de chuva com lençóis de vento
O sono da miséria, terrível e profundo.
Em nome dos teus filhos que esqueceste,
Filho de Deus que nunca mais nasceste,
Volta outra vez ao mundo!

Ary dos SantosVinte anos de poesia

quinta-feira, 2 de abril de 2009

DESILUSÃO

Esta dor que me atormenta
Que me causa náuseas e tristeza
Com esta crise tão conveniente
Sinto vergonha de ser portuguesa

Alteraram as leis e mudaram-se regras
Em nome do progresso e da Nação
E o povo que trabalhou a vida inteira
É que sente as dificuldades de não ter pão

Magistrados e governantes
Dão voltas e reviravoltas e tantas coisas que nem sei
Dão tempo ao tempo para que passe
Num Pais sem justiça e sem lei.

Nesta guerra onde o povo e inocente
E que vai servindo de distracção
Prescreve uma burla que rendeu milhões
Enquanto o povo volta à escravidão
Rosamaria